A participação do prefeito de Ponta Porã, Eduardo Campos, na agenda empresarial realizada nesta terça (24) e quarta-feira (25), na unidade da SR – Saldanha Rodrigues, em Pedro Juan Caballero, ganha peso político e econômico em um momento decisivo para a fronteira entre Brasil e Paraguai. Mais do que uma presença institucional, a ida do prefeito ao encontro reforça uma diretriz que ele próprio vem sustentando em seus discursos recentes: a de que Ponta Porã deve deixar de ser vista apenas como cidade de divisa para se consolidar como polo de integração, logística, inovação e desenvolvimento regional.
O evento reuniu empresários brasileiros ligados à ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos), representantes do setor industrial e autoridades públicas para discutir oportunidades de instalação de unidades produtivas em Pedro Juan Caballero e também possibilidades de empreendimentos em Mato Grosso do Sul, especialmente na faixa de fronteira. Nesse ambiente, a presença de Eduardo Campos dialoga diretamente com a estratégia que a Prefeitura vem desenhando para posicionar Ponta Porã como base de apoio institucional, logística e de serviços para novos investimentos binacionais.

Hub logístico
Nos últimos meses, o prefeito Eduardo Campos passou a associar essa visão de fronteira integrada a projetos concretos. Em 17 de março, ao comentar o avanço da implantação do Porto Seco de Ponta Porã, Eduardo Campos afirmou que o empreendimento deve consolidar o município como “um hub logístico na fronteira entre Brasil e Paraguai” e ampliar fortemente a capacidade de desembaraço aduaneiro. Na mesma linha, declarou que o projeto é essencial para integrar o município à Rota Bioceânica e ampliar o protagonismo local no agronegócio e no comércio exterior.
Esse posicionamento ajuda a entender por que a participação do prefeito em uma agenda empresarial em território paraguaio não pode ser lida apenas como gesto protocolar. Ela ocorre quando a gestão municipal procura transformar a conurbação entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero em ativo econômico. Em fevereiro, na abertura da Missão Empresarial Brasil–Paraguai, Eduardo Campos já havia defendido a importância da aproximação entre empresários, investidores e autoridades para o desenvolvimento regional, em um encontro que teve justamente a integração produtiva e a atração de investimentos como eixo central.
A retórica do prefeito também tem sido acompanhada de uma formulação política mais ampla sobre o papel da fronteira. Em outubro do ano passado, ao receber uma agenda do Parlamento do Mercosul em Ponta Porã, Eduardo Campos afirmou que a região aprende diariamente que “a união é a forma mais inteligente de avançar”.
Na ocasião, o gestor municipal sustentou que a fronteira não deve ser tratada como limite, mas como espaço de convivência, cooperação e futuro. Em outra manifestação no mesmo contexto, defendeu que as cidades fronteiriças deixem de atuar isoladamente para formar uma frente capaz de influenciar decisões e atrair investimentos.
É exatamente essa lógica que dá novo contorno à agenda dos dias 24 e 25 em Pedro Juan Caballero. Ao participar de um encontro voltado à expansão industrial, Eduardo Campos se insere em uma estratégia que combina atração de empresas, melhoria do ambiente logístico, abertura internacional da economia local e fortalecimento da governança binacional.

Em Ponta Porã, esse movimento vem sendo sustentado por iniciativas como a implantação do Parque Tecnológico Internacional (PTIn), inaugurado em março deste ano com a proposta de transformar ideias em negócios escaláveis e fortalecer o desenvolvimento econômico e tecnológico da região de fronteira.
A leitura da prefeitura é a de que Ponta Porã reúne condições para operar como elo entre produção, circulação de mercadorias, serviços especializados e inovação. Em junho do ano passado, a administração municipal já tratava oficialmente o município como candidato a hub logístico do comércio exterior, mencionando como eixos prioritários a integração à rota bioceânica, a implantação do Porto Seco e a articulação do Aeroporto Binacional Ponta Porã–Pedro Juan Caballero.

Alinhamento entre Ponta Porã e Governo do Estado
Dentro desse cenário, a participação do Secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) de MS, Jaime Verruck, no encontro empresarial reforça o alinhamento entre Município e Governo do Estado. Na agenda em Pedro Juan Caballero, Verruck voltou a defender uma mudança de mentalidade sobre a fronteira, sustentando que o avanço industrial do Paraguai não deve ser tratado como ameaça, mas como oportunidade de benefício mútuo. O secretário afirmou que Mato Grosso do Sul passou a discutir uma política pública capaz de favorecer os dois lados da fronteira, abandonando a lógica do receio diante da industrialização paraguaia.
A presença de Verruck mantém o peso institucional do Estado numa discussão que vai além do interesse empresarial imediato. Ao abordar temas como eficiência da estrutura pública, competitividade regional e entraves aduaneiros, o secretário reforçou a necessidade de uma integração mais funcional entre Brasil e Paraguai. Entre os pontos sensíveis está a defesa de avanços no desembaraço de cargas e na chamada “cabeceira única”, proposta vista como caminho para reduzir burocracia, custos logísticos e tempo de circulação de mercadorias na fronteira.
Esse ponto dialoga diretamente com os interesses de Ponta Porã. A cidade tenta se firmar como plataforma de apoio ao comércio exterior justamente num momento em que a discussão sobre infraestrutura aduaneira ganha densidade local. A recente audiência pública sobre o Porto Seco e a estimativa divulgada pela prefeitura de investimento inicial de R$ 75 milhões no empreendimento mostram que a agenda da fronteira deixou de ser abstrata e passou a ser tratada em bases concretas de execução e planejamento.
Na prática, o que a agenda empresarial em Pedro Juan Caballero revela é o esforço de Eduardo Campos para situar Ponta Porã no centro dessa transformação. O prefeito vem construindo um discurso coerente com as ações mais recentes da administração: aposta na integração com o Paraguai, defesa de infraestrutura aduaneira, fortalecimento da vocação logística, estímulo à inovação e busca por uma governança regional mais coordenada. Ao participar do encontro ao lado de Jaime Verruck e outras autoridades, ele reforça a mensagem de que Ponta Porã quer ser mais do que uma cidade de fronteira — quer ser o principal ponto brasileiro de articulação econômica, institucional e logística com Pedro Juan Caballero.
Nesse sentido, a agenda dos dias 24 e 25 não apenas acompanha uma movimentação empresarial na fronteira. Ela se encaixa em um projeto político-administrativo mais amplo, no qual Eduardo Campos busca transformar Ponta Porã em referência de integração produtiva no Centro-Oeste sul-americano, enquanto Jaime Verruck sustenta, pelo lado do Estado, a tese de que desenvolvimento compartilhado é hoje a saída mais competitiva para a região.