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Eduardo Campos reforça protagonismo de Ponta Porã na fronteira

Participação do prefeito em agenda empresarial em Pedro Juan Caballero ocorre em momento em que Ponta Porã acelera projetos estruturantes, como Porto Seco, hub logístico, parque tecnológico e articulação binacional com o Paraguai

25/03/2026 às 20:54
Por: editor

A participação do prefeito de Ponta Porã, Eduardo Campos, na agenda empresarial realizada nesta terça (24) e quarta-feira (25), na unidade da SR – Saldanha Rodrigues, em Pedro Juan Caballero, ganha peso político e econômico em um momento decisivo para a fronteira entre Brasil e Paraguai. Mais do que uma presença institucional, a ida do prefeito ao encontro reforça uma diretriz que ele próprio vem sustentando em seus discursos recentes: a de que Ponta Porã deve deixar de ser vista apenas como cidade de divisa para se consolidar como polo de integração, logística, inovação e desenvolvimento regional.

 

O evento reuniu empresários brasileiros ligados à ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos), representantes do setor industrial e autoridades públicas para discutir oportunidades de instalação de unidades produtivas em Pedro Juan Caballero e também possibilidades de empreendimentos em Mato Grosso do Sul, especialmente na faixa de fronteira. Nesse ambiente, a presença de Eduardo Campos dialoga diretamente com a estratégia que a Prefeitura vem desenhando para posicionar Ponta Porã como base de apoio institucional, logística e de serviços para novos investimentos binacionais.

 

 

Hub logístico

 

Nos últimos meses, o prefeito Eduardo Campos passou a associar essa visão de fronteira integrada a projetos concretos. Em 17 de março, ao comentar o avanço da implantação do Porto Seco de Ponta Porã, Eduardo Campos afirmou que o empreendimento deve consolidar o município como “um hub logístico na fronteira entre Brasil e Paraguai” e ampliar fortemente a capacidade de desembaraço aduaneiro. Na mesma linha, declarou que o projeto é essencial para integrar o município à Rota Bioceânica e ampliar o protagonismo local no agronegócio e no comércio exterior.

 

Esse posicionamento ajuda a entender por que a participação do prefeito em uma agenda empresarial em território paraguaio não pode ser lida apenas como gesto protocolar. Ela ocorre quando a gestão municipal procura transformar a conurbação entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero em ativo econômico. Em fevereiro, na abertura da Missão Empresarial Brasil–Paraguai, Eduardo Campos já havia defendido a importância da aproximação entre empresários, investidores e autoridades para o desenvolvimento regional, em um encontro que teve justamente a integração produtiva e a atração de investimentos como eixo central.

 

A retórica do prefeito também tem sido acompanhada de uma formulação política mais ampla sobre o papel da fronteira. Em outubro do ano passado, ao receber uma agenda do Parlamento do Mercosul em Ponta Porã, Eduardo Campos afirmou que a região aprende diariamente que “a união é a forma mais inteligente de avançar”.

 

Na ocasião, o gestor municipal sustentou que a fronteira não deve ser tratada como limite, mas como espaço de convivência, cooperação e futuro. Em outra manifestação no mesmo contexto, defendeu que as cidades fronteiriças deixem de atuar isoladamente para formar uma frente capaz de influenciar decisões e atrair investimentos.

 

É exatamente essa lógica que dá novo contorno à agenda dos dias 24 e 25 em Pedro Juan Caballero. Ao participar de um encontro voltado à expansão industrial, Eduardo Campos se insere em uma estratégia que combina atração de empresas, melhoria do ambiente logístico, abertura internacional da economia local e fortalecimento da governança binacional.

 

 

Em Ponta Porã, esse movimento vem sendo sustentado por iniciativas como a implantação do Parque Tecnológico Internacional (PTIn), inaugurado em março deste ano com a proposta de transformar ideias em negócios escaláveis e fortalecer o desenvolvimento econômico e tecnológico da região de fronteira.

 

A leitura da prefeitura é a de que Ponta Porã reúne condições para operar como elo entre produção, circulação de mercadorias, serviços especializados e inovação. Em junho do ano passado, a administração municipal já tratava oficialmente o município como candidato a hub logístico do comércio exterior, mencionando como eixos prioritários a integração à rota bioceânica, a implantação do Porto Seco e a articulação do Aeroporto Binacional Ponta Porã–Pedro Juan Caballero.

 

Alinhamento entre Ponta Porã e Governo do Estado

 

Dentro desse cenário, a participação do Secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) de MS, Jaime Verruck, no encontro empresarial reforça o alinhamento entre Município e Governo do Estado. Na agenda em Pedro Juan Caballero, Verruck voltou a defender uma mudança de mentalidade sobre a fronteira, sustentando que o avanço industrial do Paraguai não deve ser tratado como ameaça, mas como oportunidade de benefício mútuo. O secretário afirmou que Mato Grosso do Sul passou a discutir uma política pública capaz de favorecer os dois lados da fronteira, abandonando a lógica do receio diante da industrialização paraguaia.

 

A presença de Verruck mantém o peso institucional do Estado numa discussão que vai além do interesse empresarial imediato. Ao abordar temas como eficiência da estrutura pública, competitividade regional e entraves aduaneiros, o secretário reforçou a necessidade de uma integração mais funcional entre Brasil e Paraguai. Entre os pontos sensíveis está a defesa de avanços no desembaraço de cargas e na chamada “cabeceira única”, proposta vista como caminho para reduzir burocracia, custos logísticos e tempo de circulação de mercadorias na fronteira.

 

Esse ponto dialoga diretamente com os interesses de Ponta Porã. A cidade tenta se firmar como plataforma de apoio ao comércio exterior justamente num momento em que a discussão sobre infraestrutura aduaneira ganha densidade local. A recente audiência pública sobre o Porto Seco e a estimativa divulgada pela prefeitura de investimento inicial de R$ 75 milhões no empreendimento mostram que a agenda da fronteira deixou de ser abstrata e passou a ser tratada em bases concretas de execução e planejamento.

 

Na prática, o que a agenda empresarial em Pedro Juan Caballero revela é o esforço de Eduardo Campos para situar Ponta Porã no centro dessa transformação. O prefeito vem construindo um discurso coerente com as ações mais recentes da administração: aposta na integração com o Paraguai, defesa de infraestrutura aduaneira, fortalecimento da vocação logística, estímulo à inovação e busca por uma governança regional mais coordenada. Ao participar do encontro ao lado de Jaime Verruck e outras autoridades, ele reforça a mensagem de que Ponta Porã quer ser mais do que uma cidade de fronteira — quer ser o principal ponto brasileiro de articulação econômica, institucional e logística com Pedro Juan Caballero.

 

Nesse sentido, a agenda dos dias 24 e 25 não apenas acompanha uma movimentação empresarial na fronteira. Ela se encaixa em um projeto político-administrativo mais amplo, no qual Eduardo Campos busca transformar Ponta Porã em referência de integração produtiva no Centro-Oeste sul-americano, enquanto Jaime Verruck sustenta, pelo lado do Estado, a tese de que desenvolvimento compartilhado é hoje a saída mais competitiva para a região.

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