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Biografia de Lucy Citti Ferreira, pintora modernista

Livro de Mazé Torquato Chotil resgata a trajetória de artista esquecida em evento na Biblioteca Isaias Paim

06/04/2026 às 12:47
Por: Redação

A Biblioteca Pública Estadual Dr. Isaias Paim, que integra a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, sediará em 14 de abril de 2026, às 19 horas, o lançamento da obra “Lucy Citti Ferreira: A pintora esquecida do modernismo”. O livro, de autoria de Mazé Torquato Chotil, tem como foco a vida de uma figura central do modernismo brasileiro que, apesar de sua importância, foi marginalizada pela historiografia da arte.

 

O evento contará com a mediação de Alan Silus, Doutor em Letras, especializado em Estudos Literários. Silus é docente e pesquisador da UEMS/ Campo Grande, além de escritor, ensaísta e membro do PEN Clube do Brasil – Região Centro-Oeste, garantindo profundidade ao debate sobre a relevância da pintora.

 

O Legado de Uma Artista Esquecida

 

A biografia de Mazé Torquato Chotil apresenta a vida e o percurso de Lucy Citti Ferreira, uma multifacetada artista que atuou como pintora modernista, desenhista, gravadora e professora. Nascida em São Paulo, SP, em 1911, e falecida em Paris, França, em 2008, Lucy deixou uma marca significativa na história da pintura brasileira durante as décadas de 1930 e 1940. O objetivo central da obra é “desenterrar” essa artista, que, assim como muitas mulheres em sua área, foi relegada ao esquecimento.

 

A formação artística de Lucy Ferreira teve início na Europa. Após passar a infância em Gênova, Itália, e Le Havre, França, ela começou seus estudos na Escola de Belas Artes desta última cidade, aprofundando-se posteriormente em Paris. Já reconhecida e premiada em sua trajetória, Lucy retornou ao Brasil em 1934, aos 23 anos.

 

Em solo brasileiro, Lucy Citti Ferreira estabeleceu contatos cruciais para sua carreira. Ela conheceu Mário de Andrade, que a apresentou ao renomado pintor Lasar Segall. A relação entre Lucy e Segall foi intensa e marcante, com ela atuando como sua musa e colaboradora, em um período de grande efervescência artística.

 

Parte fundamental do acervo de Lucy, incluindo seu patrimônio pictórico e documentos, foi preservada através de uma doação à APAC – Associação Pinacoteca Arte e Cultura. Esse processo foi apoiado por Marcelo Araújo, amigo próximo da artista, que, após dirigir o Museu Lasar Segall, assumiu a direção da Pinacoteca de São Paulo na época.

 

A vida de Lucy foi marcada por desafios tanto na esfera pessoal quanto profissional. Ela enfrentou dificuldades financeiras e barreiras comuns às mulheres artistas de sua época, além de ter vivido relações complexas com três homens importantes em sua vida. A conexão com Segall, por exemplo, embora inspiradora, representou também um obstáculo para o pleno reconhecimento de sua produção independente, levantando questionamentos sobre seu papel, comparada a figuras como “uma Camille Claudel dos trópicos”.

 

Em 1947, Lucy retornou a Paris, onde dedicou-se intensamente ao trabalho, buscando constantemente novas expressões artísticas sem, contudo, preocupar-se com a publicidade ou divulgação de sua obra. Essa discrição, combinada com os desafios impostos às mulheres artistas, contribuiu para que, apesar de suas realizações e méritos, ela fosse negligenciada pela crítica e pela história da arte.

 

Sobre a Biógrafa Mazé Torquato Chotil

 

Mazé Torquato Chotil, a autora do livro, é uma jornalista e escritora com vasta experiência acadêmica e literária. Doutora pela Universidade Paris VIII e pós-doutora pela EHESS, ela nasceu em Glória de Dourados, Mato Grosso do Sul, e passou parte da vida em Osasco, São Paulo, antes de se mudar para a França em 1985. Atualmente, Mazé divide seu tempo entre residências em Paris, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

 

Com uma prolífica carreira, Mazé Torquato Chotil já publicou quinze livros, que abrangem gêneros como romances, biografias e ensaios, sendo cinco deles escritos em francês. Entre suas obras mais notáveis, destacam-se a biografia “Lucy Citti Ferreira: a pintora esquecida do modernismo”, “Maria d’Apparecida: negroluminosa voz” e “Lembranças do sítio”.

 

Além de sua produção literária, Chotil foi editora da 00h00, um catálogo lusófono, e teve um papel fundamental na fundação da UEELP – União Europeia de Escritores de Língua Portuguesa, onde atuou como primeira presidente. Sua contribuição ao jornalismo se estende com artigos para a imprensa brasileira e diversos sites europeus.

 

A escritora também foi agraciada com importantes reconhecimentos. Em 2025, recebeu o Prêmio da AILB na categoria Romance por “Mares agitados: na periferia dos anos 1970”. Anteriormente, em 2022, conquistou o Prêmio de Biografia pela obra “Maria d’Apparecida: negroluminosa voz”.

 

Detalhes para o Lançamento

 

O lançamento do livro “Lucy Citti Ferreira: A pintora esquecida do modernismo”, de Mazé Torquato Chotil, está agendado para:

 

Data: 14 de abril de 2026

Horário: 19 horas

Local: Biblioteca Pública Estadual Dr. Isaias Paim

Endereço: Avenida Fernando Corrêa da Costa, 559, Centro, Térreo

Para mais informações, o contato telefônico é: (67) 3316-9161

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